O DIABO DE TETAS - uma crítica


Umas diabruras grotescas e bizarras na forma e no conteúdo. Plus radical de cenas hilariantes e esplendorosas, executadas com extremo primor, embora o rigor tenha passado ao largo. As máscaras dialógicas se confundem num misto de maré azul e vermelha, em cujo oceano as embarcações deslizam fumegantes. Supostamente, dir-se-ia que a implantação vertical de sentido abstrato da melancolia cosmopolita e pungente varia nos índices de tangência equinocial. Ora, a radicalização molecular das cápsulas dramáticas não interfere, sobremaneira, nos persuasivos coquetéis molotov, de modo que os atores passeiam levinhos através da história, que vem num primeiro e primordial plano. Sinopticamente, a Pizzoca Ganassa está alheia a todas as qualidades extra terrenas. Hipoteticamente, a realidade, que é uma farsa, se vê atravessada por um diabo de tetas e um outro diabo chifrudo. Mas isso não lhe tira - da farsa – o seu caráter sintético, hiperbólico, claustrofóbico, católico, diabólico. Os diabos deitam e rolam nessa comédia mais do que rasgada de Dario Fo, matematicamente dirigida por Cássio Scapin. E você, espectador, vai deitar e rolar de rir e aplaudir e engasgar-se com o próprio riso, assim como outrora se passou com a tia da amiga da menina da cantina. De tanto rir, engasgou e ficou sem respirar por um tempão e quase desmaiou e sei lá... Acho que essa aí quase morreu de rir. Mas é porque é uma comédia maravilhosa, deliciosa, esplendorosa, majestosa e desastrosa. Venha ver. Fansástico, fenomenal, frontal. Magnífica. Ah, é a turma 58 da EAD. Os meninos estão se formando, não é legal? Tchau. Seu Molina.

Uma reflexão imagética

“Como era possível aquele fechar de olhos, aquela perda de consciência de si próprio, aquele afundar num vazio das próprias horas e depois, ao despertar, descobrir-se igual a antes, juntando os fios da própria vida.” Italo Calvino

TRAGÉDIAS NA ERA DOS DINOSSAUROS


Marcelo é uma figura de estatura mediana; carnívoro, dentes afiadíssimos, rabo que lhe serve de arma branca, olhos cor de mel, faro preciso, um dos mais velozes.
Roberta, com suas asas retangulares e pontudas, suas garras com unhas de faca, plaina sobre a mata verde, os lagos e rios e lagoas fartos de água doce, cristalina, límpida, buscando encontrar algum peixe pré-histórico...
A cadeia alimentar sustenta a biodiversidade e equilibra o crescimento populacional. Harmonioso convívio, respeito mútuo e bastante instinto entre as variadas espécies de dinossauros.
Os extensos tapetes verdes, vibrantes, cheirosos, dão conta da perfeita plenitude ecológica biodegradável, reciclável...
Marcelo é apaixonado por Roberta, mas a mãe do moço não permite o casamento.
Alega Gertrude que a família dos tiranos sauros é tradicional. Os primeiros tiranos sauros datam de cem milhões de anos remotos.
A família de Roberta, por sua vez, não chega aos pés da família dos tiranos sauros, conhecida por sua finíssima coragem. Roberta é bisneta de um tetraneto de velociraptors, espécie surgida há apenas noventa e três milhões de anos.
E, apesar de os velociraptors serem velozes, esses perdiam terreno para os tiranos, que eram atarracados nos seus membros dianteiros. Mas, como os tiranos sauros dominavam a parada antes mesmo de os outros nascerem, então os velociraptors resignavam-se.
O pai de Marcelo, num momento de faminta dor, abocanhou a pequena cabeça do irmão mais velho de Roberta, motivo pelo qual a relação inter familiar ficou bastante abalada.
Roberta e Marcelo, num rompante de coragem e ímpeto, fugiram de seus respectivos seios familiares e combinaram encontro na terceira montanha vulcânica da direita para a esquerda, dozentos e oitenta quilômetros distos do último agrupamento de velociraptors, os guardiães dos céus.
No momento em que Roberta pisou nos ombros de Marcelo, viu-se um clarão, sentiu-se um tremor de cujas posteridades não se teve jamais notícia.

*Vale frisar o que talvez seja a satisfatória justificativa aos historiadores, principalmente os pré-históricos: os dados científicos catalogados em registros e arquivos públicos acerca dos dinossauros e outros animais pré-históricos passaram muito longe das pretensões do autor.
Seu Molina

Àqueles que poucas razões teriam para esquecer das benécies corporativas do senado federal, nos últimos diários de notícia noticiados.


Com vocês, uma citação de Ruy Tapioca...

Que reino é esse em que vivemos?
Furtam-no desde os tempos de Don Dinis!
Pudesse, furtavam-lhe as águas do mar,
A cumprir o dito popular:
‘Antes fanhoso que sem nariz’.

Furtam os reis dos vassalos,
Cobrando-lhes impostos em aluvião!
Pudessem, tributavam-lhes o despertar,
O dormir e o evacuar:
‘A ocasião faz o ladrão’.

Furtam os clérigos dos fiéis,
Cobrando missas e comunhão.
Sábio é o dito popular:
‘Frade a pedir e gato a roubar
Estão cumprindo a sua obrigação.

Furtam os fidalgos dos reis,
E dos que possuem grossos cabedais.
Aprenderam a furtar os pobres,
Surrupiando-lhes os míseros cobres:
‘Grandes ladrões começam pelos dedais’.

Se neste reino todos furtam,
E o furtar é um ver se te avias,
Não seria ocioso indagar:
Se viemos todos a furtar,
Quem vigiará os vigias?

O MERCADO!


No gingado. Escuridão ilumina as trevas. Artifício. Darling. Sorriso pra cá. Sorriso pra lá. Uma boa batida de jazz. Rebolado. E estica a mão. E dá um tchau! E vai. No rebolado. Uma performance prerrogativa do ser em face do gelo seco da concepção corporativa. Vencer. Um assobio. Quem é? É o senhor vassalo das regalias profanas. Medo. Imagem. Exploração dos limites convincentes nas cascatas habitacionais da televisão. Hollywood. E, qual? Um artesão engenheiro de essências, um artista a valer...Que espaço? Recheios inebriantes transbordam e se perdem nas constantes, formas trigonométricas da burocracia vital, peça fundamental da engrenagem da máquina do relógio. Ordem e progresso. Mercado positivista. Atualíssimo. Mercado dos prazeres. Mercado hortifrutigranjeiro. Abóbora, um real. Banana, três e cinqüenta a dúzia. Caldo de cana e pastel.

UMA CITAÇÃO, BREVE, DE ÁLVARO DE CAMPOS, BEM LEVE, PARA REFLEXÃO!!!


“(...) Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Ser o que penso?
Mas penso ser tanta coisa! E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos”.

ENSAIO SOBRE A IRRITAÇÃO!


Nessa semana passada, tivemos perante os olhos brasileiros o maior exemplo da confluência celular dimensional, que também pode ser chamada de ‘irritação’.
A irritação irrisória da irresponsabilidade irrefletida na irritabilidade irritante é evidente nesse cenário global em que vivemos.
O goleiro do Palmeiras irritou-se com o time por causa do jogo. O Wanderlei Luxemburgo irritou-se com o Marcos por causa da declaração. O Daniel irritou-se com o Eduardo por causa do controle remoto.
A irritação é condição sine qua non da existência global de esfera esfumaçada, num momento em que as eventualidades da pós-modernidade não dão conta de si mesmas.
O guarda irritou-se com o vagabundo. O inspetor de polícia irritou-se com o inspetor, E assim vai até chegar no presidente dos Estados Unidos da América.*
É uma cadeia de plena irritação pulsante e vibrante na polaridade negativa de elétrons radioativos. A irritação micro celular, no limite, alcança irritação estratosférica da sociedade humana.
De outra parte, a relação histriônica da supérflua irreverência frenética persiste em chamar de irritante a complexa participação sintética de canais sensoriais responsáveis pelo sentido de irritação.
Ora, que belo exemplo esse do futebol, em que todo estado de coisas envolve um pleno e alegórico e massificante sentimento de paixão. A paixão, por sua vez, é o invólucro perfeito da intensidade subterrânea e menstrual; a irritação, per si!
Como questionamento pseudo-conclusivo, deixo à baila a problemática substantiva das adjetivações adverbiais e sintáticas, bem como dos fonemas assindéticos verbais, acerca da palavra que carrega em si a responsabilidade de concluir-se. Irritação.

*O presidente dos Estados Unidos da América irritou-se com sua secretária de estado, que irritou-se com o ministro da guerra, que irritou-se com o ministro de defesa, que irritou-se com o diretor do FBI , que irritou-se com o chefe de polícia de Nova York.
Este, por sua vez, irritou-se com o patrocinador anônimo.
O dono da fábrica de armas irritou-se com o presidente do conselho, que irritou-se com o vice presidente geral. Este irritou-se com o vice presidente de finanças, que irritou-se com o diretor de sistemas, que irritou-se com o gerente geral de logística, que irritou-se com o coordenador de frotas, que irritou-se com o supervisor dos engenheiros mecatrônicos, que irritou-se com o engenheiro com doutorado em balística, que irritou-se com o estagiário estudante do MIT , que irritou-se com a sua namorada.
A namorada irritou-se com o irmão, que irritou-se com a mãe, que irritou-se com o pai, que irritou-se com a sogra, que irritou-se com a filha, que irritou-se com a empresa da qual comprou mini berimbaus para dar de brinde na festa de seu casamento com o estagiário.
A empresa que vende os mini berimbaus irritou-se com o administrador do site que efetuou a venda. Um brasileiro, obviamente.
Pereira da Silva irritou-se com o síndico do prédio onde mora, que irritou-se com o zelador, que irritou-se com o porteiro, que irritou-se com o faxineiro, que irritou-se com o morador que jogou papel de bala no chão do elevador.
Este irritou-se com o caixa do banco, que irritou-se com o motorista do ônibus que não parou no ponto, que irritou-se com o motoboy, que irritou-se com a madame da Mercedes, que irritou-se com o manobrista do salão de beleza, que irritou-se com o menino que pede esmolas, que irritou-se com a madame da Mercedes, que irritou-se com a hostess do salão de beleza...
Na verdade, não interessa. Mas não se irrite.
PS: A publicação do texto não é imediata à laboração da escrita, nesse caso.

PRAÇA DO RELÓGIO


A cotovia canta. O quero-quero canta. O pardal canta e faz uma pose em cima da pedra cinza. Mal se vê as orelhas levantadas de um cachorro atento não sei em que, que late vez ou outra. Uma árvore. E outra. E outra. Um cogumelo verde iluminado pela exuberante e minguante lua de uma noite de outono. Uma pedra. E outra. E outra. Um relógio. Muitas pedras e cimentos e tijolos e concreto, atravessando o rio. Villa-Lobos. A ilha subversiva e submersa da anti tecnologia estudantil prevalece, no plano da utopia, sobre a obscuridade cosmo paulistana.
Que se diga da utopia um sonho somente, já é o bastante. Apenas um sonho.
É hora de enfrentar a plasmose zooférica da retaguarda capitalista, deixar de lado a utópica possibilidade do idealismo artístico e arqueológico e colocar o leite na geladeira da pandora.

NO PAPEL DA VÍTIMA – CRÍTICA TEXTUAL SINÓPTICA




O que eu devo fazer? Dá-me um conselho.
Por que tanta pressa? Você não chega a lugar algum sem faculdade.
O caranguejo tem cheiro de mijo.
Irmãos Presniakov. A descarga do banheiro da casa dos meus pais. Valya. Uma impossibilidade transgênera de envolvimento cultural. Desperdiçar o tempo num mundo cão. Inspetores investidos do espírito de nariz vermelho, assim como o sargento, assim como o cozinheiro, assim como o maestro virtual da orquestra de câmara, que foge, aos arrepios, do palhaço piolin e seu assistente arrelia. É simples. Muito simples. E cerveja? Tem? E bolo de semente de papoula? ...ele é inteligente, mas ele não ta nem aí, ta cagando e andando pra isso...
A essa altura isso é importante?
‘Começando a reconstituição do crime referente ao caso da reconstituição do crime feita pelo Inspetor C. D. Chnurov...’
Faculdade de Filologia da Universidade Estadual dos Urais (Universidade Gorki, em Ekaterinburg) Oleg e Vladimir. Um gravador no armário. Perplexidade.
NO PAPEL DA VÍTIMA
EAD – Turma 58
Direção de Ariela Goldman
De 8/7 a 2/8, quarta a sábado, 21h e domingo, 20h
No Teatro Laboratório da ECA
Campus da Cidade Universitária
Entrada gratuita

ARROTO


A explicação terminológica dos terminais explicativos não se obstam por si mesmas somente no prisma categórico das emoções psicofísicas inspiradas no método de Constantin, mas também dentro da abrangência retumbante das ervas daninhas universais em suas excelentes bizarrices mitocondriais.
A chateação gerada das profíquas balanças mancas, ao certo, reconhece-se na base pictórica das camuflagens autoperambulares. Nisso reside o ponto central da questão sistêmica do militarismo ruralista no Rio Araguaia. O caleidoscópio lunar traz detalhe da bandeira norte-americana fincada pelo tripulante da Apollo 11.
Por sua vez, o microscópio flagra a deficiência renal a partir do núcleo da célula do sangue subtraído de um diabético.
Nos Estados Unidos, o Mac Donald´s vendeu bilhões de Bic Mac. E trilhões de coca-cola. Um Yes soltado do diafragma. Cheiro de picles. A visceralidade sustentável é programada com libertinagem proporcional à falta de pudor sociológico.
Os assuntos secretos da diretoria legislativa da capitania hereditária vêm à tona num momento em que a anestesia midiática se faz potente na ludibrio organizado pelos coronéis. O escândalo das equimoses epiteliais da laringe, ao escapar da parede quando o arroto passa em direção ao princípio da língua, é um exemplo da temática pertinente aos jardineiros e mordomos e motoristas pagos pelo Senado Federal. E vice versa.

USP, NOVE DE JUNHO DE DOIS MIL E NOVE – UM ENSAIO SOBRE O CONCEITO DA ESTÁTUA VIVA
(Referência ao triste episódio ocorrido entre membros da comunidade universitária e a força tática da Polícia Militar do Estado de São Paulo)

Se a estátua não se move, a estátua viva, por sua vez, é viva em seu não movimento.
Se imaginarmos uma estátua viva no parque do Ibirapuera, numa tarde de domingo, tirante o fato do chapéu passado, teremos um exemplo perfeitamente hipotético daquilo que se toma como premissa básica do próprio conceito da estátua viva.
Para o domingueiro a passeio no parque, a estátua é imóvel. Porém, se adentrarmos as células e músculos e ossos e sangue e veias e artérias e órgãos e olhos e pulso e ritmo da estátua, veremos que ela está mais viva do que nunca. Um anseio e desejo e necessidade de se fazer notar perante a apatia semântica do funcionário público com seu cachorro, da doméstica e o cobrador de ônibus que levam seus filhos para fazer um piquenique no parque, do juiz de direito que pratica Cooper numa bela tarde ensolarada de domingo de quase inverno.
Tudo isso para trazer à metafórica revelação o episódio dos estudantes da Universidade de São Paulo, e seus funcionários, e seus professores. Transbordamento de vísceras surpreendentes, vibrantes e tonificantes.
A Força Tática da Polícia Militar transfere ao âmbito institucional a responsabilidade de infringir as leis constitucionais de garantias fundamentais dos direitos humanos.
A USP virou praça de guerra. Os escudos e capacetes blindados cuspiam fumaças derivadas das famosas bombas de efeito moral e gás de pimenta malagueta, a mais forte.
O prédio da faculdade de letras e filosofia virou câmara de gás. Não foi bolinho não.
São níveis diferentes de envolvimento cultural, numa explícita, mas deslocada citação aos irmãos Presniakov, em ‘No papel da vítima’.
Como se a reitoria e o governo do Estado e a mídia na sua imensa maioria fossem transeuntes domingueiros que passeiam no parque de domingo de tarde e não enxergam as células e os músculos e as artérias e as idéias e os pulsos e o ritmo e os anseios e os desejos e as necessidades dos estudantes, dos funcionários, dos professores da universidade de São Paulo, que não passam de estátuas vivas aos olhos alheios e indiferentes e desinteressados.
Como manifestação de repúdio absoluto contra a invasão da Polícia Militar no campus da USP, no Butantã, em São Paulo, bem como contra o disparo desenfreado de agressões desconexas contra os estudantes, deixo aqui meu subscrito.
Seu Molina.

NA RUA


Eu vi um cachorro marrom lambendo a água da sarjeta da Avenida Cidade Jardim. Na caranga muitas coisas se perdem. O vulto da vermelhidão semafórica perpetra cintilantemente na faixa listrada um holofote devasso que interrompe o fluxo pneumático do trânsito cosmo lunático.
A luz do poste, que se funde com a lua ao olhar de olhos desenraizados, ilumina a superfície diagonal do estabelecimento precoce da relação biográfica de Marta Suplicy com a mapografia panorâmica da cidade de São Paulo.
A aparição repentina da autosuficiência regida sob a forma de pequenos morcegos ensangüentados translucida, através das travessas e becos diagonais, as transversais atravessadas na noite.
Com o auxílio de uma insígnia supervalorizada e um cano de ferro chumbado, os homens de bonés cinzas andam em seus carros iluminados e barulhentos. Equipados e sempre alertas, a ronda programática é feita diuturnamente sob a égide de sãos padroeiros e correligionários.
Por outro lado, a água que o cachorro vira lata bebia exerce a função, nessa parábola abstemológica, da precariedade sintomática das anomalias urbanas próprias dos elementos caóticos da cidade grande em dias de muito chuva. Sete mil garrafas pet, entre refrigerantes e águas e sucos e iakultes, trezentos potes de requeijão e iogurtes, alguns vazios e outros estragados, e a lixeira suburbana se consome vagarosamente implodindo as fundações palaciais de forma a perdurar para a eternidade a imagem arrasadora da destinação institucionalizada.

'MEDIANO' - uma crítica teatral


MEDIANO – COM MARCO ANTONIO PÂMIO, DIREÇÃO DE NAUM ALVES DE SOUZA E TEXTO DE OTAVIO MARTINS
MEDIANO – Uma crítica Mediano. Um perigo. Radicalização de subterfúgios. O limite da usurpação da máquina pública. Atualíssimo. Instantâneas e constantes e subseqüentes bizarrices sobre a esteira rolante ao abismo. Brasil, o país do futuro, segundo Stefan Zweig, pensador alemão exilado em terras tupiniquins desde 1941 até o ano de sua morte suicida, oito meses mais tarde.Mas voltemos à esteira rolante ao abismo de incongruências congressistas do congresso nacional. O assunto, neste caso. O texto potente de Otavio Martins, aliado à direção sutil de Naum Alves de Souza, mais a multinterpretação aterrada de Marco Antonio Pâmio, entre outros, se unem numa unidade concreta de imagens superpotentes e perfurantes e...é o espetáculo. No SESC Pinheiros. E depois no Parlapatões. Um tema da brasilidade secular. Desde que o samba é samba. Desde que o futebol é futebol. Desde que o homem é um homem...a corrupção. Enraizamento de costumes podres de surrúpios de bens alheios. No caso, a verba pública. Milhões desviados. Um retrato poético e plausível da plácida margem do Ipiranga retumbante e sua política, em especial o congresso nacional, em Brasília-DF.Assistam. Ótimo espetáculo. Parabéns a todos. Seu Molina.

'PALHAÇOS' - uma crítica


OS PALHAÇOS DOS ENCONTROS – CRÍTICA AO ESPETÁCULO ‘PALHAÇOS’, TEXTO DE TIMOTCHENKO, DIREÇÃO DE GABRIEL, ATUAÇÃO DE DAGOBERTO, DANILO, DEPENDE.
07 maio 2009

Cruel sentido sobressai na leve sublevação conectiva entre duas mascaras que revelam e escondem ao mesmo tempo.
Aquele que busca conforto no desconhecido pode dar de cara com um buraco negro no qual se perderam todos os sentidos.
Por outro lado, a solidão mora ao lado do orgulho de não aceitar-se em sua ingenuidade. Quem procura reconhecer-se a partir do outro não pode perceber seus próprios frutos; que lhes conferem identidade.
Qual capacidade psico-física do palhaço que, ao revelar-se na relação com o outro, revela nada menos que o outro.
O limite tênue do riso entalado para o choro fugido da garganta transforma-se em gota salgada que escorrega só pela janela da alma.
Uma relação pesada e, contudo, quase psicodramática.
Expurgação dos medos de quem olha de fora.
Pânico caótico por trás da máscara. Desequilíbrio constante. Escuta de duas vias eleva à máxima potência a escuta do vértice contrário do triângulo. Extrema conexão com a platéia.
Excelente espetacular exercício.
Seu Molina.

NUM LAGO DE PATOS E CORVOS


Um lago. Sujo. Fedido. Feio.
Numa margem, patos. Noutra, corvos.
Havemos de denominar este ponto de vista, o do autor, o dos patos. Portanto, por conseqüência, havemos de denominar o lado dos corvos de o outro lado.
Feitas as elucidações preliminares, passamos a relatar o que houve naquele literalmente fatídico dia – ao menos é o que se deve ou pode deduzir da presença de abutres – no qual a comunidade patolina assistiu ao falecimento precoce do patinho que mal tinha largado as fraldas.
Todos guardavam o corpo do patinho em cima de um tronco de madeira dentro de uma pequena barraca improvisada, com uma caixa d´água e até um pequeno barco na borda do lago. Todos os patos, em volta do dito cujo, entoavam canções fúnebres ancestrais, que datavam de mil setecentos e oitenta e nove, quando um ‘french-duck’ como era conhecido, morreu decapitado junto com seu dono, o rei da França.
A revolução deixou a comunidade de patos perplexa. Todos os patos de Paris vieram aos muros da Bastilha e criaram La marseillaise patolina.
Essa toada chegou a São Paulo quando, confundidos com galos e galinhas saudáveis fugidas da gripe espanhola, na década de trinta, patos franceses, os famosos french-duck, mas também patos ingleses, alemães, holandeses, italianos, gregos e, principalmente, espanhóis, vieram nas primeiras imigrações e desembarcaram no porto de Santos.
E desde lá as canções fúnebres fazem parte do cotidiano funerário dos patos.
Fato é que, em dois mil e nove, cerca de trinta patos cantavam La marsellaise patolina em versão tupiniquim.
Quando já estavam finalizando o rito, se ouviu um piado corvalino. E de repente mais um piado corvalino. E os piados corvalinos, do nada, começaram a surgir mais intensos e avolumados.
Da janela da cabana, via-se a margem oposta repleta de corvos famintos em busca de um pedaço de carne fresca; o precoce patinho que mal tinha largado as fraldas.
Os corvos, ou abutres, ou urubus, se amontoavam cada vez mais e sobrevoavam a cabana dos patos com uma pachorra inacreditável. Os patos não poderiam vacilar. Qualquer bobeada seria o fim.
Uma das máximas da toada patolina diz respeito exatamente a isso: nunca deixe de amar e proteger seus mortos assim como aos vivos.
A batalha seria dura.

CHARADA


O menino do boné vermelho pra trás senta na guia do meio fio que divide a praça da rua. Espera a máquina tricolor esverdear e conduzir à sua fluidez truncada o trânsito de carros de janelas fechadas e blindadas. As havaianas pequenas deslizam e deixam sua marca no asfáltico solo, incandescente piano de poucas cordas bambas.
Esverdeou. Os paquidermes de Roberto Piva se enfileiram quais gotas d´água sendo comprimidas num frasco de perfume azedo.
No meio das janelas suspensas, destaca-se ao fundo um vidro lascado e trincado e o menino, então, como num corredor escuro que finda num ponto luminoso, caminha diretamente ao rapaz por trás do volante e diz:
- Posso fazer uma pergunta?
O rapaz olha para o menino e diz que sim.
O menino diz:
- Qual é o meio de transporte que não faz curva?
E o rapaz, no seu íntimo inconsciente, lembra que aquela pergunta já lhe havia sido feita num passado de localização inqualificável, talvez pelo mesmo menino da rua, ou não.
E, como se lembrara da pergunta, por certo, mas não óbvio, lembrou-se da resposta:
- Elevador!
O menino fez cara de quem acha que a vida segue rumos estranhos àqueles por nós planejados. A sua frustração evidente estampa-se na cara até quando o rapaz do volante diz como quem tenta dar um conselho:
- Você devia fazer perguntas mais difíceis.
O menino abre um sorriso com um dente faltando e outro mole e se afasta para a guia à espera do momento em que a máquina, novamente, vai lhe trazer, daqui a uma hora, talvez, uma outra janela aberta e disponível.

ACAMPAMENTO, parte 1


Num dia, em mil, novecentos e noventa e um, em julho, Eduardo e Daniel vão a um acampamento, de sítio desconhecido, gente aterradoramente desconhecida para dois jovens pré-adolescentes de dez anos cada, habituados ao conforto do lar, aconchego das forças comunicativas de amizade, camaradagem, prosperidade...
Um lugar feito de muito paralelo concreto sobre construção sub-terrestre de fiação e cabo elétrico e tubulação de esgoto do Sr. Amanco.
Poucas gramas verdes, cuja tonalidade se confunde com a areia que sobrou do grão da pedra de fogo que o diabo amassou. Que Deus nos livre e guarde, irmão!
Aterrorizante. As flores não têm cheiro e as mexericas qual sabor seco sem gosto, insosso. As pessoas, uns brutamontes canibais carnavalescos de referência epistemológica quase nula. Os monitores, uns débeis mentais da idiossincrasia revitalizante da auto-estima de um jovem pré-adolescente que pouco saiu do tubo protetor.
Vale pesar, neste momento, alguns fatores importantes, justificadores do método e da linguagem adotados. Primeiro, porque são memórias do pré-adolescente. Segundo, porque este episódio se encontra há dezoito anos entre os cordões da metabiografia sensorial.
O irmão mais velho, por um minuto que seja, se imbui do espírito de proteção e cuidado alheio.
O outro o admira e agradece a sua presença, vacilante contudo, naquele lugar do qual pouco se tem impressões positivas.
Os dez dedos se unem com força e impressionantemente. Muito forte. Nada pode os separar.
A noite é fria com a solidão daquele que observa as estrelas e acha tudo lindo e o brilho prateado que reflete suas silhuetas na imagem da lua, finíssima, presente naquele show anti escatológico, que fortalece o viver do ser humano...medo. inseguro.

PONTO DE FUGA


O ponto de fuga é o meio radioativo da transcedentalidade cosmo corpórea, que, por sua vez, é a demolidora da parodial ruptura infra comunicativa. Superlação diversa não há.
Presença tonificante e espontânea e consciente predia a prazerosa, de canais de perdigotos, a união.
Forma arredondada ilumina com holofotes ultra interinos, com suave docilidade, a sabedoria placto fantasmagórica e vitalizante da extrema jurisprudência negatória. A incredibilidade espantatória não alcança a sua contrariedade reparatória. Por sua vez, o amor é a chave.

RECREIO NA ESCOLA DE ARTE DRAMÁTICA


O menino da camisa roxa listrada usa calça jeans. A flor pendurada na árvore seca de outono ao fundo está solitária. A menina de cabelo castanho comprido cruza os braços e leva a mão à boca e repete esse movimento algumas vezes, enquanto o menino que fala fino fala ao celular, cuja frente reflete branco sobre o seu adunco nariz.
Agora eles foram embora.
Um chafariz. Muitos sonhos falando alto ao mesmo tempo. Muitos egos ganhando espaço pela grama mal cuidada como sombra no pé de manjericão da silhueta alheia.
O que se acha bonitinho leva um óculos branco acima da testa, prendendo seu lindo cabelo castanho como tiara. O meninão pede um cigarro. Eu não fumo. A do francês passa do lado da árvore amarela enquanto a menina do violão vai embora de carona num lindo corsa alado prata, quatro rodas.
Umas histéricas riem como gralhas parvas de lusidio bico fino.
Vento frio treme os poros e invade a corrente mágica até a caixa de isopor, que faz mandar a mensagem. Menina bonita deixa seu cheiro de perfume doce e de fruta de meia estação no ar. Um pêssego. Talvez um melão, melancia ou nêspera. É hora. Vou-me embora. Tchau.

CALOURADA RECEPÇÃO – UM ELOGIO À SEXAGÉSIMA PRIMEIRA TURMA DA ESCOLA DE ARTE DRAMÁTICA, ECA-USP (CRÍTICA)


A alva e nada pálida planície vibrante de corpos quentes e firmes e conectados com a terra se transfigura em um supercomputador que gera delirantes e deliciosas reflexões com imagens recheadas e cobertas com poesia...simplicidade...sei lá...o grupo estabelece o concreto. O visível. Física quântica. Química quântica.
A brincadeira de criança faz a cama. Lindo. Convidativo à viagem. O universo infantil, em sua pureza plena e verdadeira, dá vida e ampliada percepção ao jogo cênico.
Busquemos, jovens, essa pureza em sua mais pura verdade. Façamos do simples o momento presente. Sem prevenção. Um momento único a cada segundo...
Parabéns!

Seu Molina

MORRE AUGUSTO BOAL. Pesadíssima perda para o teatro, para o mundo

E quando algum indefinido micro organismo invade o sistema complexo de Augusto Boal e lhe causa, de maneira rápida e eficiente, a morte? O que fazer?
Um câncer lhe tira o domínio de seu próprio corpo. Leucemia. Qual opressão! Opressão. Oprimido. O teatro do oprimido.
O carioca, que passou dessa para outra aos setenta e oito anos, contribuiu expressivamente para o teatro brasileiro e para o teatro internacional. O teatro do oprimido aborda um método adotado por inúmeros conjuntos, desde os esquimós até os marujos portugueses e europeus. É mundial. Augusto Boal. Enorme perda.

Seu Molina

AS ARANHAS DE SP


Adentrando a uma cápsula superlativa que reside lateralmente à grade de proteção da área de serpentes venenosas, no Instituto do Butantan, se percebe, encolhida e tímida, uma pata fina, machucada, de uma pequena aranha marrom, já velha e cansada da vida no confinamento.
A reunião em volta de Schertich se avoluma mais a cada centímetro que o sol cai no horizonte por trás dos prédios da cidade de São Paulo.
Schertich é a aranha marrom da qual falamos. A anciã é conhecida por sua sabedoria, palavra certa no momento exato.
Para a reunião foi convocada toda a comunidade aracnídea do Instituto, a saber que as tarântulas, por seu tamanho, ficaram responsáveis pela organização estratégica das outras aranhãs durante a reunião.
O motivo da reunião: soluções mirabolantes – concernentes à própria infra-estrutura claustrofóbica vigente – para a sua libertação.
A explanação da pauta terá seu lugar assim que a primeira estrela não aparecer no céu de São Paulo.
As aranhas chegam para a assembléia enquanto Schertich descansa para a longa jornada noite adentro.
A questão da moradia, para ela, já era assunto que lhe perseguia desde a sua mocidade, quando o prazer de construir uma teia junto a alguns galhos secos lhe foi tirado, por ocasião de sua condução arbitrária para o Instituto, onde foi vítima das experiências mais atrozes pelas quais já passou. E a fúria que sentia era sumariamente reprimida pelas luvas de couro cujas mãos que as vestiam queria picar.
De repente, ao se livrar desse repentino pesadelo, percebe que todas as aranhas estão já reunidas, amontoadas à sua frente no pequeno espaço interno da cápsula, se estendendo pelo jardim afora. As mais distantes quase espetam seus traseiros na ponta de arame farpado da grade protetora que circunda a cápsula em todo o seu diâmetro. Schertich faz um gesto para todas sentarem, pedido que é atendido prontamente.
Atenção: as exatas palavras que se disseram na reunião não se pôde compreender, pois são as palavras aracnídeas incompreensíveis ao ouvido humano, como o são tantas outras coisas. Acredita-se, ainda, que o inverso seja verdadeiro. As aranhas nada depreendem da enorme capacidade humana de articulação intelectual.
O que se viu após é digno de uma imagem quase expressionista, em preto e branco, acerca do tema ‘arquitetura das massas’...
Todas as aranhas se levantam juntas e, ao molde do mecanismo de um relógio bastante preciso, se encaminham para fora da grade de proteção. Juntas, ainda, passam pelas cápsulas anexas onde se encontram confinados os escorpiões, que se unem à causa aracnídea.
As serpentes, venenosas ou não, antecipadamente prevenidas do intento de suas vizinhas, às quais aderiram de pronto, fazem as vezes de balizas para o caminho para fora do Instituto.
Chegando num ponto do qual não se pode mais voltar, ou se avança na conquista ou se morre na praia. A indecisão, a falta de perspectivas mina qualquer possibilidade de triunfo.
As aranhas, os escorpiões, as serpentes identificam esse presente instante como um momento para reflexão e colocação das idéias no lugar. A pergunta é: qual o próximo passo? Não se sabe pelo que as aranhas decidiram, seja por causa do vocabulário incompreensível ao ser humano, seja por que não se viu nenhuma ação por parte das mesmas. Talvez, o momento de reflexão e meditação seja, até mesmo para as aranhas, muito importante e precioso.

1 POEMA CONCRETO


VINTE E QUATRO DE ABRIL, SEIS E QUINZE DA TARDE

A batucada.

A cadência.
A vibração.




come on

hoje tem noite cubana.
GRANDE.

CIRCUNFLEXIVES CONNECTED ON THE TABLE

vênia pelo jargão equivocadamente empregado...perdi o fio da meada...outro...meu deus do céu! e agora josé? ser ou não ser?

Agora já era.

Pára.

UMA NOTÍCIA BOMBÁSTICA NO MUNDO DA MODA!

OS TUFOS LATINOS DWEK LARGAM, DEPOIS DE ANOS DE FUNDAÇÃO, PROCRIAÇÃO E VACINAÇÃO, ALIMENTAÇÃO, A DIREÇÃO DA TRITON.
QUEM PODERIA IMAGINAR?
AS CAPAS VESPASIANAS DA CALÇA QUE SE USA PARA IR A FÓRUM ACABAM DE PERDER A ADERÊNCIA. A Liliam paty falou que o choque foi geral. Adorei!

O RISO DE EDUARDO GALEANO - uma crítica


A espontaneidade crítica e de pureza infantil da magnânime elucubração concreta na escrita de Eduardo Galeano é, simplesmente, o conseqüente abismo perfurador das sublimes imagens levadas a dimensão desconhecida.
A rapsódia instantânea e rarefeita da falha comunicativa no riso das mulheres, por exemplo, significa, no limite, o limite total da ausência de luz no fim da caneta bic vermelha, numa metáfora, ao que parece, ingênua,...
O morcego não é o Batman. Absurdo!
Isso pra dizer que a superfície fisio-pneumológica da essência cavernosa do ser se faz fortemente presente nas mulheres do Eduardo.
Ótima leitura!

REFLEXÃO SOBRE A PASSAGEM DO TEMPO!


Um dois três quatro cinco seis: vamos todos juntos para a casa do freguês.
Um dois três quatro cinco seis sete oito nove tchau goodbye aufwiedersen.
A polilinguagem tridimensional do eixo comercial das unidades desenvolvidas permite uma supremacia ribáltica no tocante à percepção reflexa da globalização.
A policomercialização gravitacional da exórdia temperamentalista tributa aos pequenos flamingos latifundiários a culpa exaltatória da subtranquilidade dos quilombolas.
De somenos relevância infra-sonográfica são os apliques epistemológicos, receptáculos obliterantes da farmácia casualística e perturbadora da alma suína, portanto.
Não se veicula, sob qualquer hipótese neuro-ritualística, a fração teologizante da reforma absoluta das quatro paredes da capela sistina, magnífica obra de Miguel Ângelo, uma tartaruga ninja.
O tempo é só ele quem pode dizer. Quantos anos vive uma tartaruga? E uma tartaruga ninja? Nem se diga.
Vale mais um espasmo cosmo-molecular para solidificar a pleuma fisgatória da raiz múltipla quadrada.
Quanto tempo? Temos?Temos quanto tempo?
Uma vez alguém me disse: Não tenho tempo para nada...
Tempo pra nada.
Como reclamar da falta de tempo se tudo quanto temos, temos tido, vimos tendo e todas as temporais variações verbais para denominar a falta de tempo, é tempo!?
E não se trata, de modo algum, de uma alegoria justificadora do discurso hipócrita dos preguiçosos.

FINAL DO PAULISTÃO 2009


A alvinegra bárbara coloração brilhou mais intensa e perpétua no interior aquático de peixes e gambás ribeirinhos...
A finalização performática da fenomenológica redondilha superou a tricolor ingenuidade de saber-se em seu favoritismo falacioso.
Por outro lado, a reflexão que paira sobre a movediça fonte escatológica do futebol dá conta da hiperbólica quintessência reveladora da cartola profunda e lamacenta. Mas não é o caso...
O que se viu foi digno de um zoomórfico terreno em que as espécies harmônicas convivem em seu habitat natural, atreladas à amena seleção de Darwin.
Os porcos e bambis se deram as mãos e saíram pela lateralidade traseira da semifinal paulistana.
Os peixes e os gambás, plenos de sua soberania magnética, fincaram a chave magna no rol da sabedoria popular, a dizer que os alvinegros eram os favoritos do campeonato. E, de fato, disputarão a finalíssima em duas etapas nos próximos sábados ou domingos.
VOTE NA ENQUETE AO LADO E SEJA UM SEGUIDOR.
Tchau.
Seu Molina.

INADIÁVEL, IRREMEDIÁVEL


Há inúmeros fatores que se pode numerar e organizar numa lista de tarefas imediatas, inadiáveis, cuja inadimplência será causa de irritação extrema, unilateral, da matriarca responsável pelo limpo, asseado lar, doce lar.
Uma pequena partícula, por menor que seja, microscópica quissá, é bastante para que o abalo sísmico intransponível seja de dimensão sobrevalente em sua fúria intensa e perfurante.
A perspectiva de deixar o campo de batalha ileso é totalmente nula. O faro felino e esmiuçador da suprema singularidade maternal é certeiro.
Uma pilha de roupa passada por guardar, em cadeira sobressalente junto da parede de vinho que divide o quarto e a sala, por uma semana, é oprimida com vigorosa devoção da dona de casa. Este detalhe na curva filosófica da realidade com a poesia, a depender de experimentos sociopatológicos de reflexão permeável e amigável, passa desapercebido, porém percebido. Tchum. Nada escapa aos olhos de águia, coração de mãe e espírito de anciã.
Alguns pares de tênis e chinelos e papétes e meias e cuecas jogados pela sala são inadmissíveis no quadro crítico de equivalência gemial, relativamente ao esporte às seis da matina com corn flakes e mamão com aveia.
Quem vê o retrospecto distanciado não pode refrescar a cuca em favor deste autor. Muito pelo contrário: se houvesse julgamento, a unanimidade recairia sobre a alva e branda aura representativa da mãe. E com razão!
Mas outro dia, o escândalo só não foi maior porque a vizinhança, que estava à toa na vida vendo a banda passar parou para ver o escândalo sensacionalista. Ao que foi que, percebendo-se fragilizada diante da ejaculação dignitária, baixou o binóculo multifocal, colocou-o na pochete, e pôs-se para dentro de casa.
Sabe qual foi o grandioso motivo causador do escândalo? A razão grotesca e bizarra que deu origem à absessa cólera?
Agora, falando sério. O escândalo, ao meu ver exageradamente desproporcionado, se deu quando avistou-se, numa cama de quarto estudantil, com muitos livros e papéis e cadernos e apostilas e fotografias e LP´s e DVD´s, três toalhas molhadas em cima do travesseiro, cuja fronha tinha mancha de caneta bic e molho shoyu com mostarda e uma pitadinha de maionese, gergelim no pão, com dois hambúrgueres, queijo e molho especial, e por cima uma cueca com a estampa de uma autopista e um caminhão que freia bruscamente, e um monte de panfletos recolhidos pelas ruas espalhados pelo chão e uma bola colorida do playcenter, daquelas bem grandes, atrás da porta.
E o escândalo foi muito grande. Uma bronca e tanto. Para ela, inadiável. Para ele irremediável.

MORRE REINALDO MAIA, O DRAMATURGO DA ORESTÉIA E DE OUTRAS!

APÓS CINQUENTA E SETE PRIMAVERAS AO LADO DE CÁ, CHEGA O DIA EM QUE, IMPULSIONADO POR UM CORAÇÃO QUE DEIXA DE BATER REPENTINO, ULTRAPASSA A BARREIRA, O LIMITE.
MAIA CHEGOU NO CÉU DE CALÇAS CURTAS. PUDERA. NEM TEVE TEMPO DE ENTENDER. SUSTO. DRAMATURGO SERÁ ENTERRADO EM IBITINGA, CIDADE ONDE NASCEU E DE ONDE SAIU PARA FAZER TEATRO EM SÃO PAULO E SER ATOR E AUTOR, UM DOS FUNDADORES DO FOLIAS.
O VELÓRIO ACONTECE NO GALPÃO DO FOLIAS, À RUA ANA CINTRA, SANTA CECÍLIA, DURANTE A MADRUGADA!

PENSO!


Eu penso um pensamento
Que já não penso mais.
Penso muito; penso tudo;
Uma rajada de pensamento tais,
Pensamentos rápidos; fortes;
Pensamentos nortes; cerebrais;
Pensamentos humanos, carnais,
Repletos de instintos animais;
Serenos; viscerais.
Pensamentos que talvez
Nem sejam meus.
Pensamentos que passam
E pensam por si,
Que nos preenchem e
Depois nos abandonam.
Pensamentos nômades; quebrados;
Pensamentos que se emanam,
Que se dividem e se problematizam,
Mas não se solucionam.
Pensamentos extasiantes,
Irregulares, penetrantes,
Cavalares, espetaculares, inconstantes.
Pensamentos que voam e
Voltam depois de muito não pensar.
Pensamento passageiro, estrangeiro,
Pensamento inter-planetar.
Pensamento que é ilusão;
Que é pré-concepção;
Que é algo menos estagnação.
Pensamento que não passa de idéia,
Um abstrato qualquer de evolução.

LICENÇA PARA UM DESABAFO!


Ratazanas serelepes flainam por sobre os milhares de canos sujos e fétidos e nojentos e lamacentos e entupidos da metrópole adstringente de relâmpagos plastificados e ambientais. Ambiente de plástico. As ratazanas não ligam. Continuam sobrevoando as casas encanadas e os prédios encanados, passam pelas ruas e avenidas encanadas e por entre os encanados transeuntes, pousam tais quais libélulas com uma das asas quebrada.
A grande poça é quase movediça e se move contra si mesma num ritmo frenético e sufocante e delirante e amaciante.
Os canos entupidos, que levam água marrom e flocos de chocolate com creme de açaí e cassis da garrafa, se desfazem.
O estômago não agüenta. Como perceber a velocidade terrível da queda?, já dizia o vocalista da banda do trilhas e tons.
Os canos são frágeis e sensíveis e demandam cuidado e delicadeza.
E as ratazanas não sentem o cheiro das coisas, das almofadas, das camisas, dos queijos, dos vinagres, etc.; o nada lhes deixa perplexas. A onde? E que razão para o Mickey Mouse a ação se inexiste caos movedor interno do esqueleto emocional?

ROGÉRIO CENI É OPERADO!


NUMA PARTIDA DE FUTEBOL, UM FRANGO CAIPIRA E ORGÂNICO E KOSHER PODE CONTER O OSSO ENGASGADOR QUE TRAZ A PENUMBRA INDISCRETA POR MESES A FIO.

ROGÉRIO CENI, O GOLEIRO DO TIME TRICAMPEÃO BRASILEIRO, QUE JÁ CONQUISTOU TÍTULOS SUL AMERICANOS E INTERNACIONAIS, O TIME PELO QUAL A TORCIDA TRICOLOR PAULISTA AMA E PEDE PARA SER CAMPEÃO. É A TORCIDA ORGANIZADA...

O MELHOR GOLEIRO DO BRASIL, SEGUNDO A TORCIDA, SOFREU UMA LESÃO IRREPARÁVEL NO OSSO QUE MARGEIA A TÍBIA INFERIOR. QUEBROU O PÉ. SE FOSSE ATOR, TUDO DARIA CERTO. É JOGADOR DE FUTEBOL. SEIS MESES DE SOLITÁRIA E FISIOTERÁPICA ABSTINÊNCIA. SE FERROU. COITADO.

IMAGINA, VOCÊ, SER AFASTADO DO TIME JUSTO QUANDO A GLÓRIA TRANSCENDENTE ESCLARECER O RUMOR PÓS-DRAMÁTICO DE UMA FRATURA ÓSSEA NO MEIO DO CAMPEONATO INTERCONTINENTAL?

ABSURDO.

A ROGÉRIO CENI, UM RECADO DE APOIO PLATÔNICO*. VÃO SE OS OSSOS E FICAM AS PELES. RECUPERAÇÃO E PENSAMENTO POSITIVO SÃO O SUFICIENTE PARA BUSCAR O INSTANTE VIVO.

APESAR DE EU TORCER PARA A PORTUGUESA DE DESPORTOS, CONSOLIDO-ME COM A TORCIDA SANPAULINA.

SEU MOLINA.


*O termo platônico, nesse caso, se deve ao fato de Rogério Ceni desconhecer o remetente dessa mensagem de apoio. Como exemplo comparativo, podemos citar o termo "amor platônico", que significa um amor impossível. No caso do apoio platônico, quero dizer que o destinatário nunca, com sorte, poderá imaginar as faces do remetente, a não ser que este mande foto.

Em mundos de especialização, a vivência é o alvo torto!


Outro dia, anos atrás, li em alguma orelha algo que me chamou a atenção por sua capacidade indissolúvel de abrir-se aos planos conciliadores da totalidade plena de sentido abstrato. As grandes especializações, para Chaikin, são os maiores impedidores de aramazenagem experiencial, no campo da esquematização orgânica da vida como ela é.

Nos dizeres de Joseph Chaikin, "(...)nos tempos de grandes especializações não existe um especialista que seja autoridade em vivência”.
E ele complementa com magnitude acadêmica do pensamento socio-teatral:
“(...)somos dirigidos – como bois – a pensar, entender e preservar. Somos controlados de fora e não fica bem claro como [...] somos induzidos a querer coisas com as quais não nos importamos e desistir daquelas que fundamentalmente queremos”.

É óbvio que a relação especial existente entre exímias escolaridades empregatícias se reserva, em sua íntima ignorância, aos casos fictícios de globalização e falta de emprego.

Os bois nos servem belas e saborosas picanhas nas churrascarias. Esse é o país do futuro. O curral do século xxi.

Seu Molina.

O FUTEBOL PAULISTA!

É SEMIFINAL DO CAMPEONATO ESTADUAL DE FUTEBOL, A PAIXÃO NACIONAL QUE REVOLUCIONOU O MUNDO COM A ARTE DA GINGA E DE COMO CHUTAR UMA PELOTA.
NA QUINTA-FEIRA, HOUVE MUITA PAIXÃO. NA SEXTA-FEIRA, COMI UM BACALHAU. NO SÁBADO, MONSTROS ATACAVAM A TERCEIRA DIMENSÃO DOS INIMIGOS ALIENÍGINAS E HOJE O TIME DO DANIEL PERDEU DE VIRADA PARA OS ALVI-NEGROS.
OS FANTÁSTICOS BONECOS QUE SE TORCEM NA MOLA PROPULSORA DO HORÁRIO NOBRE POUCO SE PREOCUPAM COM OS ÚLTIMOS DIAS DO MENINO E SÓ FALAM NA FINAL DO CAMPEONATO. O ZOOLÓGICO: A PEIXADA, A PORCADA, A GAMBAZADA E A BAMBIZADA.
QUOT EQUIPUM EST TUOI?
VOTE NA ENQUETE AO LADO E SEJA UM SEGUIDOR!
SEU MOLINA

UM CONTO INFANTIL OITO


NA RUA

Eu vi um cachorro marrom lambendo a água da sarjeta da Avenida Cidade Jardim. Na caranga muitas coisas se perdem. O vulto da vermelhidão semafórica perpetra cintilantemente na faixa listrada um holofote devasso que interrompe o fluxo pneumático do trânsito cosmo lunático.
A luz do poste, que se funde com a lua ao olhar de olhos desenraizados, ilumina a superfície diagonal do estabelecimento precoce da relação biográfica de Marta Suplicy com a mapografia panorâmica da cidade de São Paulo.
A aparição repentina da autosuficiência regida sob a forma de pequenos morcegos ensangüentados translucida, através das travessas e becos diagonais, as transversais atravessadas na noite.
Com o auxílio de uma insígnia supervalorizada e um cano de ferro chumbado, os homens de bonés cinza andam em seus carros iluminados e barulhentos. Equipados e sempre alertas, a ronda programática é feita diuturnamente sob a égide de sãos padroeiros e correligionários.
Por outro lado, a água que o cachorro vira lata bebia exerce a função, nessa parábola abstemológica, da precariedade sintomática das anomalias urbanas próprias dos elementos caóticos da cidade grande em dias de muito chuva. Sete mil garrafas pet, entre refrigerantes e águas e sucos e iakultes, trezentos potes de requeijão e iogurtes, alguns vazios e outros estragados, e a lixeira suburbana se consome vagarosamente implodindo as fundações palaciais de forma a perdurar para a eternidade a imagem arrasadora da destinação institucionalizada.

AOS NAVEGANTES DE PRIMEIRA VIAGEM!


Seja você, navegante de primeira viagem, muito bem vindo a este espaço de colóquio digital, via internet.

Por ora, cá se encontra uma das poucas possibilidades de mantermos contato. Isto porque, não raro, a rotina materialista nos suga categoricamente e não temos tempo para nada. Nem para almoçar. Nem para estudar. Nem para trabalhar. Nem para descansar um pouquinho. A vida é sei lá... Que que estava falando? Ah!... Sobre o tempo.

Curiosamente, o tempo que ocupamos é o tempo real, em um espaço virtual. Impossível encontrar mais de um milhão de pontos infinitos sobre fundo azul de algum quadro de algum pintor diariamente. Impossível. Inimaginável.

Então, o blog é um espaço de experiência cultural, virtual, mundial.

Seja, digo novamente, sem preâmbulos, bem vindo.

Boa leitura!

Seu Molina.

VIDA DE INSETO



Mosquitinho distraído
Vem serelepe e faceiro
Procurando um traseiro
Ou um braço suculento
Como alvo inimigo.

De repente, sem que tenha percebido,
Entra pela via oral
De um mais ainda distraído, e
Coitado, acaba sendo engolido.

No enterro presumido,
Comentários em família,
Todo mundo entristecido,
Falando da curta vida
Do tão jovem mosquitinho.
Triste sina!

Do outro lado, enraivecido,
Com chinelo já na mão,
O mais ainda distraído,
Xinga, do pobre mosquitinho,
Até a quinta geração!

CARTAS EXTRAVIADAS - UM ELOGIO A BARTLEBY, O ESCRITURÁRIO! (crítica de Seu Molina)


A prevalência colorada da estrutura cadente de Wall Street focaliza uma figura objetivada em sua relutância hermenêutica de lidar com os alheios corpos preenchidos por alienígenas alegorias egóicas.
A substancialidade do narrador é efêmera no sentido menos extraordinário que se noticia do termo. A referencia metafórica do advogado subverte o sentido do ponto de vista responsabilizador de sua relação com os demais transeuntes de sua própria caixa preta.
A pressorização negativista que surge do encontro ulterior de Nippers com Turkey, no campo metalingüístico, do modo preparatório ao modo de ‘O clube da luta’, na radicalidade extrema do triângulo suprecional de cujo vértice Ginger Nut perambula sobre a plataforma de plátano plena de musgos escorregadios, é verídica.
Façamos uma breve ruptura cirúrgica no prisma da explicitude literária para que possamos estar entendendo o objetivo da finalidade dramática de cada personagem. Turkey, do inglês, peru, e Nippers, do inglês, alicate, cujas alcunhas valorizam exponencialmente suas características primevas, se beneficiam da clemência espiritualizante da magricela noz de gengibre, o Ginger Nut, do inglês.
A potência perturbadora da clarividência...o que significa preferir?
A preferência absoluta de qualquer relação hemocêntrica desestabiliza os meandros diagnósticos do ato de preferir e, por conseqüência, da singularidade supérflua obtido do receio vinculatório de Bartleby, ou seja, de preferir não fazer como ato extremo de sua própria liberdade mnemológica.
Claro, pois, que o ato de preferir altera, razoavelmente, em proporções antes consideradas insignificantes, a capacidade circulatória da proporção psicossomática do bom senso, em contra partida ao isolamento misantropo pelo qual opta Bartleby, o escriturário.
No entanto, Melville precipita-se sobre um bueiro encardido de sifilíticas carnificinas intoxicantes. A sociedade comum não suporta lidar com uma mola propulsora de tanta desobstrução estrutural.
Nesse sentido, as cartas extraviadas, uma das metáforas mais cabíveis para o homem do século xix e seus seculares sucessores, se perde com relação à sua própria natureza teleguiada.
Tal qual um anel que não chega ao dedo da amante, o homem segue em busca daquilo que lhe é essência, mas, por vezes, e na sua maioria, não encontra. A desistência, logo, é o limite aplicativo da ausência completa e obscura de perspectivas.

GASES GERAM POLÊMICA EM JOGO DE FUTEBOL (matéria da próxima enquete: não perca!)

A Marcia, seguidora do blog desde antes de sua criação, mandou-me uma notícia que beira o cúmulo das vias inusitadas de conduta britânica. Isto porque, numa partida de futebol realizada na Inglaterra, pela qual disputavam pontos o Charlton Villa e o International Manchester F.C., verificou-se um caso de extrema falta de bom senso por parte do árbitro. Num lance de cobrança da penalidade máxima, um dos momentos mais esperados pelos torcedores futebolísticos, um dos adversários, que nada tinha a ver com o lance, liberou uma flatulência que, segundo os jogadores que estavam mais próximos, só pôde ser escutada pelo próprio propulsor dos gases.
Contudo, isso já foi motivo suficiente para que o juiz (que parece também ter ouvido o estouro) anulasse a cobrança, mediante a justificativa de que o barulho da explosão tivesse impossibilitado a conversão da cobrança em gol.
Na segunda tentativa, o jogador, que não se viu atribulado com qualquer tipo de gás ou estrondo, converteu o gol.
A polêmica seguiu para além do final da partida. Se quiser mais informações, acesse o link da matéria: BBC Brasil - BBC BRASIL.comhttp://www.bbc.co.uk/portuguese/index.shtml
AGORA, PARTICIPE DA ENQUETE AO LADO.
Seu Molina.

Uma citação de Fernando Pessoa...

“(...) Prefiro não me dar nome, ser o que sou, em certa obscuridade e ter comigo a malícia de me não saber prever. Tenho uma espécie de dever de sonhar sempre, pois, não sendo mais, nem querendo ser mais que um espectador de mim mesmo, tenho que ter o melhor espetáculo que posso”.

Maria SEM graça - uma crítica de Seu Molina

A característica magnífica da sublime performance interconstelar provoca sentimentos inebriantes naquele que deposita seus olhos no mais profundo milímetro cúbico da tela do computador.
As cores fisgam o espectador tal como uma tainha esbranquiçada, sem reação, diante de um anzol lindíssimo que te hipnotiza.
A sensação provocadoramente deliciosa a partir da conexão subterfugia do tempo da cena, em seus ritmos, pausas, interseções musicais descontroles precisos, traz para a memória viva, porém remota, o retorno ao seu mais profundo ser.
A Xuxa é o vértice inflamatório da questão midiática no Brasil, no tocante à persuasão metalingüística do discurso psicologizante, no caso a Xuxa, para com a massa integralizada pela moldura de madeira maciça.
É um filme belíssimo. As atrizes são nada menos que esplendorosas. É radical. A direção precisa e hidráulica de uma mão versicular que lida sensivelmente com o âmago planetário e individual da referência paradigmática e, ainda por cima, consegue retratar com singeleza a pureza filigramática do cotidiano hiperbólico e metafórica da classe c e da classe d da 7ª série.
Vale a pena conferir.
PS: VOCÊ PODE CONFERIR NO ORKUT DO DANIEL KRONENBERG OU ENTÃO, MELHOR AINDA, CONFERIR NO SEIO DO PRÓPRIO ARTISTA, EM SEU SÍTIO ORKUTIANO: LEANDRO GODDINHO.

ATENÇÃO PARA A ENQUETE!

O CONTO INFANTIL SETE, RECÉM PUBLICADO NESTE SÍTIO CIBERNÉTICO, DE ALCUNHA AMARILDO E JOSÉ, TEM MUITOS MÉRITOS DE AFINCO INVERTIDO NA PARTICIPAÇÃO PLENA DA HISTÓRIA MEDIEVAL DO DIREITO ROMANO. COM ISSO, TEMOS QUE, PARA ABARCAR TAIS QUESTÕES, A ABUNDÂNCIA DE TEMÁTICAS SE FAZ ESTRITAMENTE E INALIENAVELMENTE NECESSÁRIA. ORA, TENDO JÁ COMO CERTA A DEMANDA INTENSA PARA A LEITURA COMPLETA E, TAMBÉM, TENDO EM VISTA QUE O REFERIDO CONTO TEM EXATAMENTE: 5 PÁGINAS, 1530 PALAVRAS, 7430 CARACTERES (SEM ESPAÇO), 8963 CARACTERES (COM ESPAÇO), 2 PARÁGRAFOS E 138 LINHAS, A PERGUNTA SIMPLES E DIRETA É: VEJA NA ENQUETE AO LADO!

UM POEMA UM


CRIME AMBIENTAL


Hortência ferida;
Encontrada caída no jardim
Da frente da casa de Margarida.
Bala perdida, mas com alvo certo.
Triste sina.
Tudo por conta de um
Mau entendimento de Margarida,
Acerca de um flerte de assalto
Havido entre Hortência e Cravo,
O qual, assustado, abismado,
Levou, de sopetão,
Um salto alto de sapato
Bem no coração.
E não é só!
Como se não bastasse, ainda às expensas
Da confusão criada por
Margarida e Hortência,
Quebrou-se-lhe o canecão de estimação,
Parceiro de tantas regadas;
Um litro d´água,
Ao longo de toda a sua jornada:
Três dias de vida!
Ah, Hortência! Ah, Margarida!
De qual delas o sapato seria?

UM CONTO INFANTIL SETE

AMARILDO E JOSÉ

Amarildo e José são vizinhos. Ambos moram no centro de São Paulo. O primeiro mora na Rua Vieira de Carvalho com o Largo do Arouche. O segundo, na mesma rua, um pouco mais abaixo, no seu final com a Praça da República. José é jovem e mora sozinho. Amarildo tem seus cinqüenta e poucos anos, aparentemente, pois ninguém ainda teve coragem e ousadia para abordá-lo e perguntar-lhe a sua verdadeira idade. Mas também mora sozinho. Pode-se dizer que Amarildo e José possuem bastante experiência no ramo da improvisação imobiliária, a dizer pelos caixotes e panos que fazem as vezes de barracos, mas que para as suas necessidades, são verdadeiras mansões. Como pedintes, os dois também não deixam a desejar, posto que conseguem com os transeuntes e vizinhos tudo quanto necessitam, seja alimento, roupa, cigarro e até cachaça. Mas a sua principal fonte de renda é com a venda de papelão que recolhem nas ruas do centro durante o dia e vendem no final da tarde pela quantia de noventa centavos o quilo. Com apenas alguns cálculos, é possível imaginar que cada um recolhe até oito quilos de papelão por dia. Conclui-se que eles sobrevivem com mais de cem reais cada um; e ainda com a vantagem que não pagam aluguel nem condomínio, água ou luz. Não têm gastos extras com educação ou saúde. Ou seja, usam o salário para gastar com o seu próprio entretenimento. As noites estreladas, algumas, servem de cenário para o diário passeio noturno que Amarildo e José fazem ao Largo do Arouche e Praça da República, respectivamente. Só lá pela uma da madrugada, quando o sono chega, vão dormir em seus cantos, para no dia seguinte acordarem às sete da manhã, com o sol lhes aquecendo as faces – quem não quer acordar assim – e seguirem seus caminhos ao trabalho. Apesar de tudo isso, Amarildo e José, contrariando os sentimentos que normalmente se tem com uma boa qualidade de vida, não estão satisfeitos. Muito pelo contrário. Vivem bastante queixosos sobre a vida exaustiva e injusta que levam. O que não se pode compreender inteiramente. É certo, pois, que são moradores de rua e isso, por si só, já carrega uma carga de preconceito social contra as suas figuras representativas. Por outro lado, José e Amarildo não passam fome nem frio, não têm contas a pagar ou questões complexas e filosóficas a resolver. Certa noite, o passeio noturno de José e Amarildo foi interrompido bruscamente por uma chuva de fazer alagar o Vale do Anhangabaú. Soube-se depois que a quantidade de água nem era tão grande assim, mas o acúmulo de chuva foi devido à enormidade de lixo jogado nas ruas. E para isso contribuíram José e Amarildo, quando descartaram caixas de papelão que não mais lhes prestavam.
A chuva precipitou-se para o Largo do Arouche. Amarildo teve seus pertences inutilizados. Os objetos e bens pessoais de José, por sua vez, foram ensopados, posto que a água invadiu a sua residência. Conclusão. Os dois estavam desabrigados. Por onde iam, a chuva os castigava. Era tanta água que nem ficaram tão enraivecidos assim. Precisavam de um banho e viram ali a oportunidade perfeita para fazê-lo. Mas também tinham que dormir. E a tempestade não parava. E as calçadas com lagos enormes e poças de água suja. Amarildo pegou suas poucas coisas que ainda não tinham sido destruídas e seguiu em direção à Praça da República. José fez o caminho inverso, mas pelos mesmos motivos. Foi em direção ao Largo do Arouche para procurar um abrigo que lhe protegesse da chuva. Quando chegaram, juntos, à altura do número cem da Rua Vieira de Carvalho, encontraram um toldo embaixo do qual poderiam ficar por algumas horas até que a chuva diminuísse, ao menos. Infelizmente, o toldo tinha apenas um metro e meio de extensão por quarenta centímetros que invadiam a calçada por cima da cabeça dos transeuntes que ali passavam. Amarildo colocou seus pertences na pequena porção seca de calçada que havia. José não se fez de rogado. Usou o mesmo espaço para colocar as suas coisas. Seus olhares se cruzaram e permaneceram inertes por um longo tempo. Ao seu redor, o mundo caía; a chuva castigava e dominava. Mas algo de comum um percebeu no outro, uma certa auto-piedade de suas figuras, coragem e força descomunal para suportarem dignamente toda aquela situação. Era como se Amarildo, ao mesmo tempo, tivesse concordado que José ficasse lá, mas o tivesse expulsado. A sobrevivência de ambos dependia de ocasiões como essas; decisões rápidas e que, na sua maioria, traziam vantagens ou desvantagens imediatas. No caso, era encontrar um abrigo. Quem não conseguisse um lugar sob o toldo azul, provavelmente passaria a noite, ou as horas seguintes, debaixo de chuva. Teve início uma briga para quem iria ocupar o toldo azul. Por incrível que pareça, não se presenciou uma luta de forças físicas, com empurra-empurra ou xingamentos. Amarildo e José travavam um embate discursivo sobre quem tinha o direito de ficar ali, protegido da chuva. Enganou-se quem disse ou supôs que para morar na rua não precisava embrenhar-se por questões complexas e filosóficas. O que se viu entre Amarildo e José foi uma verdadeira busca pela melhor estratégia de como usar a retórica em seu favor, tal qual uma seqüência de lances em que um enxadrista tenta derrotar sumariamente o seu adversário. Amarildo iniciou seu discurso dizendo que aquela roupa que usava era a única e que não podia molhá-la. José completou: aquela também era a sua única roupa. E mais, estava com gripe e febre e, portanto, não poderia ficar exposto à chuva porque, sem dúvida alguma, iria piorar se o fizesse. O primeiro disse, então, que tinha acabado de se curar de uma pneumonia. O segundo afirmou categoricamente – e ninguém sabe ao certo dizer se era verdade ou foi apenas uma estratagema para ganhar a discussão – que tinha casos de doenças respiratórias crônicas em sua família. E o um disse que convivia com ratos e baratas e que o risco de contrair uma leptospirose não era pequena. A batalha seguiu sem um vencedor por um longo tempo, até que, apelando para o emocional do adversário, adentraram no histórico de suas infâncias. Tiveram longa discussão sobre quem era o menos nutrido, o mais analfabeto, o menos forte, o menos saudável, o mais maltratado pelo pai, o que menos recebia carinho materno, o que ficava mais dias sem comer, sem beber ou tomar banho, o mais carente de afeto, o mais feio, o mais dentuço, o mais orelhudo, etc. Nem Amarildo nem tampouco José haviam acumulado mais de dois pontos de diferença na competição. O empate seguia certeiro por horas a fio de diálogo. A chuva cessou. O tempo abriu-se e as estrelas começaram a reaparecer. Mas, mesmo com um vislumbre de tempo melhor, mesmo com a possibilidade de que os dois pudessem sair de lá e seguir seus respectivos caminhos, sem tomar chuva, a discussão não teve fim. Agora não estava mais em voga o direito iminente de ocupar o lugar sob o toldo. A conversa tinha levado ambos para caminhos que eles nunca haviam imaginado; um caminho para o qual não se poderia deixar de considerar os mais sérios e importantes recursos filosóficos das questões mais complexas possíveis. Qual era o sentido da vida? Se perguntavam... Por que e para que viviam? Para quem? Como viviam? Valia à pena? Todos esses sofrimentos seriam recompensados ainda em vida ou seria preciso passar dessa para uma melhor? E qual a melhor forma? Qual a solução mais conveniente para dar cabo da própria vida? Então, decidiram. Após alguns segundos de paralização e reflexão, tempo no qual se permitiram reviver toda a sua trajetória até ali, decidiram. Amarildo estava cansado de perambular pelas ruas, não queria mais passar fome ou sede, queria um lugar em que tivesse companhia para a sua solidão, onde tivesse comida, bebida e roupas secas. Não importa o que tivesse que fazer para alcançar tudo isso. Devia ser preso. Na penitenciária, havia tudo aquilo de que seu corpo necessitava. José, por sua vez, estava cansado das mazelas da vida. Estava ausente de suas responsabilidades cristãs de zelar pelo próprio corpo, pela própria saúde, pela própria vida. Queria entregar-se, desistir de tudo. Sua alma precisava de descanso. Amarildo ajudaria José e José ajudaria Amarildo. E foi o que fizeram. Naquela manhã, logo cedo, após a chegada do sol, aconteceu o que já se previa, o que havia sido planejado pelos dois, e que seria relatado com certo sensacionalismo no jornal da noite: morador de rua é preso por atear fogo no corpo de outro morador de rua, causando-lhe a morte. O copo de José das tantas foi encontrado no centro de São Paulo, a maior capital brasileira, entre a Praça da República e o Largo do Arouche. Segundo legistas do Instituto Médico Legal, mais de oitenta por cento do corpo de José estava carbonizado. O mesmo será enterrado como indigente. Ao ser indagado sobre o que o levou a praticar o crime, Amarildo disse que há coisas que ultrapassam a compreensão daqueles que têm onde morar, ou o que comer, ou o que beber ou o que vestir. Foi internado no manicômio municipal.

DA NÃO OBSERVAÇÃO DO RESULTADO DA ENQUETE!!!

PREZADOS LEITORES, COMO É DE VISÍVEL PERCEPÇÃO, VENHO LEVAR A PÚBLICO O MEU, NÃO DIRIA EQUÍVOCO, MAS DESATENÇÃO PARA COM O RESULTADO DA ENQUETE ANTERIORMENTE PUBLICADA.
DEVO CONFESSAR QUE, AO INQUIRIR SOBRE O TEMA DE VOSSA PREFERÊNCIA, TIVE QUASE COMO CERTA A VITÓRIA DO PATO DONALD, ENQUANTO RELATO PÓS-VIVACIONAL DA CATEGORIA ALUCINÓGENA DE WALT DISNEY.
TODAVIA, NÃO É, COMO SE VERIFICA, O QUE ACONTECEU.
POR UM ACASO DO DESTINO, O TEMA 'O EXÉRCITO INTERROMPE CARROS-PIPA NO SERTÃO, EMBORA MENOS EMBLEMÁTICO SOB O PONTO DE VISTA DA REALIDADE, SAIU VITORIOSO.
ISTO POSTO, VENHO ME POSICIONAR NO SENTIDO DE QUE POUCO ME IMPORTA A RAZÃO SUBTEMÁTICA DA SUBTRAÇÃO EQUACIONAL DOS TEMAS LISTADOS NA ENQUETE.
O PATO DONALD, APESAR DE SUA DERROTA, FOI PUBLICADO SOB CONCENSO MAJORITÁRIO DA COMISSÃO DE PUBLICAÇÃO DESTE BLOG.
ATENCIOSAMENTE,
SEU MOLINA.

UM CONTO INFANTIL SEIS

PATO DONALD E A SUPERVALORIZAÇÃO DA RELAÇÃO COMUNITÁRIA COMO FORMA DE PAGAMENTO

Quem nunca já ouviu falar a respeito da subliminaridadde envolvente nos desenhos animados, sobretudo aqueles produzidos pelas famosaas siderúrgicas cinematográficas norte americanas?
A subliminaridade dos desenhos animados surgiu, como tema, concomitantemente à refratária e caracterizante síndrome vermelha, que trouxe consigo um assombroso mistério acerca das justificativas pecuniárias, no âmbito da singularidade do timbre de voz de Nina Simone.
O Pato Donald, assim como seu conterrâneo da Patolândia, o sovina e capitalista Tio Patinhas, cujo cofre inviolável é maior que o maior dos arranha-céus da cidade dos patos, é o protagonista e detentor do título desta crônica.
Tirante o fato de que são todos patos, Pato Donald é O Pato.
QUÁQUÁQUÁQUÁ.
A patada representa uma outra comunidade de patos.
Há o pato sovina que guarda seu dinheiro, paga outras pessoas para proteger sua riqueza e a si mesmo.
Tio Patinhas usa aquele chapéu listrado e é muito engraçado.
E o Pato Donald mal se entende o que ele fala. E é bonitinho. Pato Donald é o agente secreto. Será. Só fala em códigos. Tudo para proteger a Patolândia, tão bem administrada por seu governo de patos.
Pato Donald é o herói porque elimina os terroristas inimigos. É realmente uma bela história para um desenho animado.

PATO DONALD E A MERCANTILIZAÇÃO DO CAPITALISMO PARA CRIANÇAS!

MUITO EM BREVE, AQUI NO BLOG, PUBLICAREMOS UMA CRÔNICA SOBRE A RELAÇÃO DE PATO DONALD COM A PROPAGANDA BÉLICA NORTE-AMERICANA JUNTO AOS PAÍSES DE ORIGEM ÁRABE.

CONVITE AO COLÓQUIO DIGITAL - VULGAR!

PREZADOS LEITORES, o Daniel me disse que pouco se compreende do textículo retro publicado. Portanto, venho declinar da formalidade acadêmica e transpor a mensagem de maneira acessível ao grande público.
AOS QUE DESEJAREM MANTER UM CONTATO MAIS DINÂMICO, PODE INSCREVER SEU CONTATO JUNTO A seumolina@zipmail.com.br
Áqueles que desejarem, ainda, um contato mais dinamo-ciber-reflexo-filosófico, sugiro o acesso ao meu orkut. (que está registrado sob o mesmo e-mail acima postado: seumolina@zipmail.com.br )
LÁ NO ORKUT, VOCÊ RECEBERÁ NOTÍCIAS SOBRE AS NOVIDADES DO BLOG.
SEU MOLINA.

CONVITE AO COLÓQUIO DIGITAL!

Ao assíduo leitor,
Que deste blog enseja a freqüência,
Por favor tenha a referência
Deste sítio cibernético o autor.
Certo, pois, que poesia a nada leva,
Não nos atemos a meras quimeras
Rotativas!
Vejamos que, sob os prismas da translação lúcida e espaço-virtual, a comunicação meramente se dilui no tempo tecnotérmico. Portanto, se for de vosso desejo o contato mais eficaz, não se rogue quanto ao aproach ciber-relacional. Digite o meu e-mail e envie seu comentário para seumolina@zipmail.com.br
Se for de interesse do destinatário remetente, acesse o Orkut, cujo ciber endereço se mantém.
Seu Molina.

UM CONTO INFANTIL CINCO


DONA FU

Dona Fu vivia num grande descampado, onde era possível apreciar o horizonte por todos os lados para onde se olhava, até onde a vista alcançava. Era uma vista infinita, quase que a limitar a própria existência da Dona Fu, uma vez que a mesma nem sequer conseguia ter a dimensão de seu tamanho. Era um campo verde musgo, de uma textura bastante macia e aveludada. Quase não tinha cheiro de natureza, nem de musgo, o que fazia Dona Fu pensar que talvez todo aquele descampado fosse artificial. Mas, apesar de tudo, a nossa ilustre personagem se contentava com aquela sua vidinha. Dona Fu vivia naquela região há bastante tempo, embora não soubesse calcular com exata precisão quantos anos ou dias ou minutos era habitante singular e solitária daquele inusitado sítio. O fato é que Dona Fu não tinha lembrança de ter residido em outro lugar, nem semelhante nem diferente daquele no qual se encontrava. Pensava em várias possibilidades: que tinha nascido ali e, por alguma razão que não sabe explicar, a sua família, pai, mãe e eventuais irmãos teriam desaparecido. Ou então que ela teria caído do céu, a exemplo das estrelas cadentes, com a diferença que a nossa estrelinha teria perdido a memória ao acordar naquela imensidão verde. Mas Dona Fu, como já se disse, habitava sozinha toda aquela vasta ‘verdidão’. Não tinha nada para fazer, ou com quem brincar, falar ou trocar impressões sobre o horizonte, que muitas vezes parecia pálido, qual uma parede branca. Chegou um dia que Dona Fu, não se contentando em ficar ali parada, olhando para aquela imensidão que se perdia de seus olhos, resolveu caminhar. Caminhou por muito tempo, mas não encontrou mudança alguma. Apesar de sua frustração, continuou andando e andando e andando, até a infinidade verde e pouca esperançosa. Quando estava quase a desistir, não sabendo tampouco o que faria dali a diante, se deparou, a contra-senso de tudo que poderia imaginar naquele momento e naquela situação, um paredão, também verde, que devia ter milhões de metros de altura. Dona Fu ficou ainda mais confusa. Era certo que um descampado verde não poderia ter fim. Mas também não era possível que acabasse num muro verde mais alto que todos os prédios do mundo empilhados. Pronta a investigar aquela despropositada divisória, resolveu caminhar por toda a extensão da mesma, já que subi-la não poderia, por motivos óbvios: tinha medo de altura. Dona Fu, então, começou a caminhar novamente, tendo aquela enorme parede verde do seu lado direito. Caminhou até não poder mais de tão cansada. Parou por alguns segundos para tomar um ar e retomou aquela que poderia chamar de caminhada para a felicidade. Tinha, a qualquer custo, que descobrir a razão daquilo tudo. Caminhou mais um pouco, até que finalmente viu algo de novo naquela paisagem. Tratava-se de uma esquina onde a parede terminava, mas continuava para um outro lado, dantes inexplorado. O mais curioso é que entre as duas paredes que se localizavam exatamente na perpendicular de uma a outra, havia um buraco enorme, gigantesco. Dona Fu teve medo de aproximar-se daquele, digamos, furo no chão. Passou longe dele e seguiu caminho rente à outra parede verde, de maneira que ela continuava do seu lado direito. Não precisou andar muito – fique claro que a nossa cansada personagem teve que andar muito, sim. Mas, em comparação com a caminhada que tinha percorrido anteriormente, essa era bem mais reduzida – para Dona Fu chegar exatamente no mesmo lugar. Aquela esquina de muros verdes extremamente altos com um buraco entre eles. Mas não era possível, pensou consigo mesma, que fosse o mesmo lugar. Deveria ser miragem. Desta vez, resolveu investigar também o buraco que emergia à sua frente, qual um buraco negro pronto a sugar qualquer corpo que apareça diante de si. Chegou bem na beirada e pôde avistar, lá embaixo, algumas tranças que pareciam uma rede. Estranho. Era um buraco que devia ter sido feito para aparar algum objeto tão gigantesco que Dona Fu não conseguia imaginar. Mais embaixo ainda, muito além da distância entre o chão e a rede, havia uma outra plataforma. Não era uma plataforma verde. Como era muito longe, Dona Fu não conseguia enxergar direito. Mas parecia de um marrom acarpetado. A nossa cansada, irritada e deslumbrada personagem quase entrou em choque. Não conseguia entender onde estava e nem o que representava todo aquele cenário que se apresentava diante de si. Voltou para onde considerava seguro para não cair no buraco e resolveu tirar um cochilo. Realmente estava muito exausta. O cochilo deve ter durado uma eternidade, pois acordou bem disposta a continuar a sua jornada. Pôs-se a caminhar novamente, feliz e pronta a descobrir boas novas quando ouviu um barulho muito estranho, quase ensurdecedor, vindo de um ponto que não conseguia ver. Cada vez mais o barulho ia ficando mais e mais alto, até que, de repente, Dona Fu se deparou com uma bola de tamanho imensurável e de cor vermelha vindo em sua direção a uma velocidade que não se pode descrever. Foi o tempo de Dona Fu dar um pulo para o lado para que a bola não passasse por cima de si e a esmagasse qual uma formiga indefesa, sem saber o que fazer, na superfície de uma mesa de bilhar. Porém, a sorte de Dona Fu finalmente chegou ao fim. Tão logo conseguiu desviar da bola vermelha, não reparou que foi cair bem no local por onde estava vindo uma bola branca, maior ainda, e numa velocidade não menos ligeira. Não é preciso dizer que Dona Fu foi esmagada, esmigalhada, destroçada, triturada, fragmentada, estilhaçada, esfarelada em mil pedacinhos. Coitada!

UM CONTO INFANTIL QUATRO

ERVILHAS

Havia, certa vez, uma comunidade de ervilhas verdes, na sua maioria. Mas disso falemos mais tarde. Todas elas viviam harmoniosamente, na medida do possível, e do impossível também. Eram por cerca de seiscentas e vinte ervilhas que dividiam um espaço de pouco mais de setecentos centímetros cúbicos. Levando-se em conta que cada ervilha tinha, em média, um centímetro cúbico, umas mais e outras menos, e que entre elas transitava uma água da qual falaremos logo mais, cada ervilha ocupava quase o seu próprio tamanho. Ou seja, quase não podiam se mexer, a não ser quando a água as empurrava para rumos relativamente desconhecidos. Guardadas as devidas proporções, era como se na cidade de São Paulo houvesse quinze milhões de caixões e que cada um deles fosse ocupado por um habitante, de modo que não pudessem se mover, respirar ou comunicar-se entre si. E que esses caixões estivessem boiando num alagamento sem fim. No caso das ervilhas, é sabido que essas não tem pulmões e, por tal razão, não precisam de ar puro. Fato que, por si só, alivia para o lado das bolinhas verdes quando dizemos que as mesmas não podiam respirar. Voltemos à água. Era uma água que vivia lá desde os primórdios daquela comunidade. Fazendo uma retrospectiva de sua vida passada, as ervilhas não se lembram de terem convivido sem a presença daquela água, que sempre se marcou pela sua presença forte e incontestável. A água era de um verde bastante característico, impregnada da essência das próprias ervilhas, embebida da vitalidade e sabor, cor e cheiro das mesmas. A água, naquela comunidade, era onipresente. Estava em todo e qualquer lugar que não fosse ocupado por uma ervilha. Ela tinha a função de evitar toda sorte de desentendimentos entre as habitantes daquele sítio, que era muito pouco arejado, diga-se de passagem. Aliás, não era arejado – não tinha ar, posto que já foi dito que naquele espaço eram ervilhas ou água – e também era muito pouco iluminado, uma vez que o sol não conseguia, ou pelo menos nunca conseguiu até aquele dia, alcançar as redondezas habitadas pelas ervilhas. Levando-se em consideração, mais uma vez, que as ervilhas não têm olhos para enxergar, essa escuridão também não chegava a ser um grande problema. Por outro lado, ainda que a luz e o calor do sol não se presentificassem diante daqueles seres minúsculos, é certo dizer que lá dentro era bastante quentinho. A água mantinha uma média de temperatura de vinte e oito graus, o que trazia uma sensação de conforto para as ervilhas. Mas essa sensação de conforto era apenas aparente, pois, apesar de sua serenidade e calma, a água comandava com mãos de ferro toda aquela região. Cada ervilha tinha o seu próprio espaço e não podiam transitar fora dele. Havia a região nobre da comunidade, onde as maiores ervilhas, mas a minoria delas, tinham o direito de sitiar. Ou seja, apenas vinte por cento da totalidade das ervilhas ocupavam a metade inteira de cima da lata – sim, é uma latinha de ervilha, cuja marca é desnecessário mencionar. O restante das ervilhas, de cor não tão verde, algumas amareladas, outras opacas, tinham a metade de baixo da lata para ocupar, que era bem menos iluminada e arejada, se é que se pode considerar arejado algum ponto daquele lugar. Enfim, podemos dizer que a parte de baixo era infinitamente menos aconchegante e confortável. Todas as ervilhas que buscavam uma certa ascensão, ou seja, que tentavam ocupar, ilegalmente, a parte de cima e viver a vida das ervilhas grandes, verdes e bem afortunadas, eram severamente repreendidas pela água, que os levava para o fundo da latinha, e lá ficavam até que outra ervilha recebesse o mesmo castigo e fosse para o fundo. Então a presidiária anterior subia um degrau na escala hierárquica. Em aspectos gerais, é óbvio dizer que a comunidade das ervilhas não era tão harmoniosa como foi dito no início dessa narrativa. Ao longo de toda a eternidade daquela comunidade, se instaurou uma classificação por classes. Ervilhas fortes, verdes, coradas, robustas, saborosas, apetitosas que tinham todas as primazias providas pela água, e as demais, que eram consideradas ‘o resto’, descartadas de um ideário aprazível para denominar-se uma ervilha de boas maneiras. Essas miseráveis eram, na sua quase totalidade, amarelas, pequenas e defeituosas.
Certo dia, daqueles em que parece que tudo ocorrerá dentro da normalidade, com poucos casos de repreensão ou de ervilhas preconceituosas que chateiam as outras, devido à sua classe ou por serem pequenas, aconteceu algo que ninguém poderia prever, posto que nunca havia acontecido. Ocorreu um fato inédito, um fato sem precedentes na história daquela comunidade, que traria mudanças radicais para a vida daquelas ervilhas. É preciso dizer, também, embora se constate com o narrar dos acontecimentos, que aquele episódio seria definitivo para o término da própria comunidade. Mas, o mais curioso é que, ainda que as ervilhas, mesmo as mais sensitivas, para não dizer espertas e inteligentes, não soubessem exatamente quais seriam as conseqüências daquela fatídica ocorrência, todas elas uniram-se, buscaram um fortalecimento coletivo, em prol daquilo que mais tarde denominar-se-ia instinto de sobrevivência, de preservação da espécie. Por volta das doze horas daquele dia inédito, ouviu-se um barulho muito estranho de porta se abrindo. As ervilhas já tinham ouvido aquele barulho antes. Contudo, aquele barulho, isoladamente, não era muito significativo. Tão logo aquele barulho cessou, houve uma força externa inexplicável que balançou toda a estrutura da comunidade. Não só todas as ervilhas mas também a água, perderam o seu auto-controle. Começaram a ser jogadas umas contra as outras, contra as paredes de alumínio, contra o teto e, ao mesmo tempo contra o chão. Nunca havia se dado tal calamidade, em tais proporções. Essa agitação durou, na contagem de um relógio humano, mais ou menos um minuto. Quando se deu a calmaria, a qual, mais tarde, descobriu-se ser somente passageira, havia ervilha grande e saborosa no fundo da lata e outras que estavam literalmente esmagadas. Por outro lado também havia ervilhas feias e foscas na parte da cima, boiando sobre uma água completamente desnorteada e entontecida, para a qual a divisão hierarquicamente estabelecida, não só já havia a muito se perdido, mas também não tinha mais nenhum sentido, obra da confusão e do transtorno havidos. De repente, veio barulho perfurante lá de cima, como se alguma arma tivesse lhe feito um furo. Então, começou a entrar uma claridade muito intensa, muito brilhante, que vinha de um pequeno ponto da extremidade superior da latinha. Inacreditavelmente, as ervilhas sentiam que a mesma estava sendo virada. O teto foi se dirigindo para baixo e o chão foi para cima. Por conta da gravidade, todas as ervilhas foram imediatamente pressionadas contra o teto, e isso fazia um barulho muito diferente, fora do normal. Parecia que aquele teto de alumínio, a qualquer momento, iria ceder sob os pés das assustadas ervilhas.
Logo em seguida, quando se achava que tudo de impossível já tinha acontecido, surpreendentemente, a água, lentamente, começou a escorregar pelo buraco que havia sido feito na latinha. As ervilhas começaram a entrar num estado de choque e desespero completos. Era inimaginável que elas pudessem existir sem aquela água ao redor. É como se, numa visão mais romântica da situação, disséssemos que um caderno não pode viver sem as suas folhas ou que as calças não podem viver sem as pernas. A partir daquele momento, as ervilhas começaram a rememorar todo o tempo em que passaram juntos com a água naquela lata. Desde os maus agouros até os dias de pura felicidade e alegria foram objeto de lembrança daqueles seres amedrontados. Enfim, a água foi escorregando e, cada vez menos ervilhas podiam apreciar um último contato com a mesma, sentindo nela o seu próprio cheiro e sabor. Quando toda a água terminou de esvair-se por entre as ervilhas tristes e molhadas, pairou um sentimento muito estranho, quase a retratar a sensação de perda de um parente muito próximo. As ervilhas simplesmente não sabiam o que fazer. Ficaram paradas ali, sem se mexer, mesmo porque não conseguiam, posto que estavam presas umas sobre as outras. Era a água quem possibilitava a locomoção delas. De repente, novamente a surpreender o espírito pouco empreendedor e aventureiro das ervilhas, ouviu-se um barulho ensurdecedor. Por cima delas, o teto estava sendo rasgado nas suas bordas e a intensidade de luz e brilho aumentou infinitamente. Segundos depois a comunidade das ervilhas já estava sem teto. Melhor seria se elas conseguissem, a tempo, se organizar para formar um movimento contra tal atitude tirânica, perpetrada por não se sabe quem. Mas não conseguiram. Em questão de mais alguns segundos, a latinha foi virada e as ervilhas começaram a cair numa grande travessa. Assim que caíram e sentiram aquela travessa fria e espelhada embaixo delas, já sabiam qual seria o seu destino. Ao lado de alguns tomates, outros pepinos, milhos, ovos, palmitos e cebolas, as ervilhas tomaram o seu lugar na grande salada que seria ingerida logo mais, na mesa de almoço de alguma família saudável.

COM VOCÊS, O ENSAIO GANHADOR DA ENQUETE!

O IRREPRESENTÁVEL E A SUA FUNÇÃO SOCIOLÓGICA

A investigação hegeliana acerca de assuntos tangentes à ‘exclusão do real’, matéria que adentra nas questões pormenorizadas sobre a imitação relativa, se limita, em parte, a explicar de forma declarativa as vias exclusivas e didáticas da representação.
Mediante as diversas faculdades de percepção auditiva, a representação sofre fortes tendências transversas no sentido de ofuscar a própria sensibilidade da representação. Isso porque, a relação performática que se dá entre o sujeito protagonista e o sujeito antagonista, muitas vezes, se vale da supervalorização egoísta por parte de cada um dos sujeitos. Com efeito, a transparência fenomenológica da representação, termo que caiu em desuso a partir dos estudos do modelo contemporâneo de representação de Meyerhold, na Rússia, segue corriqueira pelas lateralidades complementares da perspectiva neo-melancólica evidenciada no início dos anos vinte, na Inglaterra. Peter Brook, o encenador de maior destaque dentro dos parâmetros paradigmáticos da representação, se vale da nova perspectiva idealizada da não idealização das personagens. O ator negro fazendo Hamlet, por exemplo, evidencia a contramão pela qual segue Peter em comparação a outro encenador da nossa contemporaneidade, Iacov Hillel. Para este, torna-se quase essencial o phisic de role ­– expressão que denomina a necessidade de as características físicas do ator se assemelharem às da personagem – impossibilitando qualquer outra forma de evidência representativa.
Os moldes dos objetos irrepresentáveis, no bojo da tradição teatral pós-dramática, privilegiam imponentemente a resistência única da prerrogativa máxima que exalta Hans-Thies Lemann no seu livro de capa verde e um leão dourado. Contudo, a sensação de confinamento corporal estilístico realça a história do surgimento da representação em sua premissa biográfica. O irrepresentável, por sua vez, sucumbe aos aspectos heterogêneos da alternância visual da qual se vale o espectador. Ora, o protagonismo exacerbado de certas figuras circulantes nas galerias parisienses em meados do século XVIII, por exemplo, trouxe à tona um dos maiores questionamentos sobre a temporalidade da medida representável.
Isto posto, não se deve creditar hipótese alguma, o fardo deliberativo das regras básicas da representação, que na medida da teatralidade pós-dramática, é confundida com interpretação. Equívoco crasso. A possibilidade fenomenológica da espacialidade fugaz da estrutura normativa da representação, tal qual foi identificada na sua origem, não incorpora a sensorial realidade mental. Ou seja, a conclusão da qual se cogita um controle rígido por parte da academia, gira em torno da questão única do irrepresentável, bem como da sua função sociológica em termos definitivos de ação, duração, pausa e discurso.

UM CONTO INFANTIL TRÊS


A HISTÓRIA DO CHIMPANZÉ FUJÃO

O chimpanzé morava no zoológico. Vivia uma vida feliz. Vivia uma vida de paz. Muita paz. Harmoniosa convivência com o leão. Lia o jornal todas as manhãs com a zebra.
Sempre acenava para as girafas, que moravam nos andares mais altos dos prédios ao longe, e as girafas sempre retribuíam com um aceno de suas orelhas pontudas.
Certa vez, o hipopótamo convidou-o a visitá-lo, e disse que trouxesse trajes de banho pois iam refrescar-se no pântano.
O chimpanzé infelizmente não pôde comparecer. Estava trancado em sua jaula.
Passada a possibilidade do encontro, o chimpanzé voltou à sua rotineira rotina.
Pela terceira vez naquela semana, chegou o fulano de boné marrom, responsável, dizem alguns, pela alimentação dos habitantes do zoológico.
Ele, o fulano, pela terceira vez naquela semana, abriu a jaula, entrou na jaula, fez uma brincadeira ou outra com o chimpanzé e colocou num canto da jaula sete quilos de frutas, entre bananas, maças e laranjas.
O chimpanzé, pela terceira vez naquela semana, ficou maravilhado com a quantidade súbita de comida à sua disposição mas, por algum motivo que ninguém saberia explicar, o grande macaco não se demorou muito na sua vitamina. Ao invés disso, pregou um olho no seu patrocinador e o outro olho na trava da jaula.
Sem querer querendo, ou pelo menos é o que se imagina em se tratando de um primata, o chimpanzé reparou nitidamente no movimento que fez o fulano com a trava para abrir a jaula.
Meia hora mais tarde, quando o fulano já estava bem longe, o chimpanzé foi até a fechadura. Lembrava exatamente das imagens necessárias para tirar a trava e abrir a porta da jaula. E não fez por menos na sua perfeita imitação do fulano.
Abriu a jaula em poucos instantes e ganhou a liberdade...
Virou a esquerda e deu de cara com o tigre soltando uns grunhidos que ele não conseguia entender. Mas pela cara de espanto do tigre, o chimpanzé sabia que tinha feito algo de novo naquele lugar.
Então, passou pelo tigre, avistou os cavalos comendo capim, as vacas à sua direita estavam pastando, comendo e cagando, e as galinhas não paravam de cacarejar.
Avistou uma placa onde se lia: SAÍDA.
Não entendeu o que estava escrito, mas sua intuição lhe dizia que devia seguir aquele caminho. Quando estava bem próximo da saída, sentiu uns oito braços o agarrando por trás, e uma agulha bem grossa nas suas costas.
O chimpanzé fujão foi anestesiado.
Treze horas depois, o chimpanzé acordou com uma sensação diferente. A adrenalina ainda lhe percorria o corpo.
Achava que...Tinha certeza absoluta que tudo aquilo que ele vivera não havia passado de um sonho, de uma ilusão.